Um poema inspirado pelo romantismo, ou, mais especificamente, pela pintura "Andrômeda", de Gustave Doré, postada acima. Novamente, o eu-lírico é masculino.
A jovem no rio, tão doce, tão graciosa,
Tão serena e singela...
Agarra-se à pedra, pois é ela como a rosa:
Nasce na terra e lá deve ficar,
Tem cuidado com o homem que irá lhe arruinar.
Com as delicadas mãos se balança
E os pés tocam a superfície d’água,
Que a esfria, pois, como uma criança,
É indefesa e delicada, e a água fria
Congela os poros da pele macia.
O rio quer levá-la, levá-la pela correnteza:
Carregá-la aos confins do mar
Onde Netuno há de apreciar sua beleza
E onde a aprisionará para o resto da vida
Numa prisão de corais, sem saída.
Traz consigo essa moça os traços mais lindos
Que em humana já vi.
As faces rubras como o vinho tinto,
Os olhos castanhos como o solo
Delgados o rosto e o colo.
Cai a donzela. Caiu na torrente!
O que faço eu de mi?
Menina, menina! Segura-te, aguente!
Salto, largando pena e papel, e penso comigo:
Sou poeta, não herói; mas corre ela perigo...
Corro ao barranco, salvá-la irei,
Mas já é tarde, e se foi...
Mas por quê? Chorarei.
Chorarei o pranto mais humilde e triste
Pois a jovem mulher -- partiste!
A pena e o papel recolhidos do chão
De um pobre poeta que amou
Como um tolo de fraco coração
E deixou seu sonho escapar;
Deixou-o ser levado para o fundo do mar.

Lindo, amei.
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