terça-feira, 1 de março de 2011

Religion

Mais um poeminha bem curto em inglês, verso livre:

A question of a child:
Unwelcomed.
And the unquestionable
Truths remain as such.
Cautiously built
And maintained in a
Vacuum.
So that no gust of wind
Can blow them down.

Evolving?

Poema em inglês, para aqueles que gostam de verso livre:


Cold words,
No words.

Just bodies moving
For the same purpose;
Faster, faster...


Minds like iron curtains.
Thoughts absent; mystery-
Hands of aluminium,
Hearts of steel,
Lungs inspiring helium.

The people of tomorrow.

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Depressão de Fim de Ano

Dois minutos para a meia-noite, e o início de um novo ano. Adeus ano velho, feliz ano novo, para aqueles que já comemoraram a chegada de 2011, e para aqueles que ainda estão por comemorar. Todos estão certamente muito alegres neste fim de ano, animados para outro ano, um novo começo. Mas no fundo, para a maior parte de nós, este novo ano será nada mais que uma repetição do ano passado - as mesmas vitórias e os mesmos fracassos, os mesmos sonhos e a eterna insatisfação de perceber que nenhum deles se realizou. Life goes on.
Para mim, no entanto, lidar com uma imensa tristeza é quase que natural durante o ano novo. Não comemoro a data com entusiasmo nenhum, tudo que fazemos é um bom jantar, e à meia-noite faço um desejo para o próximo ano. A esse ponto do meu post, já fiz meu desejo. Mas no resto, continuo deprimida como sempre fico no último dia de todo ano. A véspera de Ano Novo é uma data de tortura sub-consciente para mim, e provavelmente sempre será. Minhas únicas memórias desta data no passado foram de ser obrigada a ficar acordada até tarde quando preferia estar dormindo para ver e ouvir os ruidosos fogos de artifício, que sempre detestei. Consigo até apreciá-los, em qualquer outro dia do ano, na televisão, e sem som, mas durante o Ano Novo, estes são quase que insuportáveis. Minha sorte este ano é que estou passando o Ano Novo em Providence, nos Estados Unidos, uma pequena cidade bem longe de quaisquer fogos. Mas mesmo assim, continuo detestando profundamente este dia. Acordo no último dia do ano já com um péssimo humor, e durmo com um humor pior ainda.
Prometo neste ano que está por vir mais postagens aqui no blog, mais prosa e poesia.
No mais, me despeço, e espero que todos tenham tido um Ano Novo melhor que qualquer um que eu já passei.

Amalia Bastos

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Um Jantar Ilustre

Bom... Faz um tempo que não posto nada aqui no blog.

Estou tendo pouco tempo para escrever, viajando por várias universidades dos Estados Unidos, mas pensei que talvez fosse interessante responder ao menos uma pergunta por semana para meus pouquíssimos leitores.

Uma das coisas que sempre me pergunto é: se eu pudesse sentar à mesa com quinze pessoas que provavelmente nunca verei em toda minha vida, quem eu escolheria? Compilei, por fim, uma lista. Eu adoraria passar uma tarde, ou até mesmo um dia inteiro, conversando com as seguintes pessoas: J.R.R. Tolkien (autor de “O Senhor dos Anéis”), William Faulkner (um dos maior autores da história, em minha humilde opinião), J.D. Salinger (outro excelente autor, mas que provavelmente não compareceria por detestar aparecer em público), William Shakespeare (que todos conhecem, claro), Charles Darwin (o ‘pai’ da evolução), Richard Dawkins (um grande cientista e ateu, que deve ter mais de 60 anos de idade agora), William Shatner (o ator de Star Trek que faz o papel do ilustre Capitão Kirk na série original), Leonard Nimoy (o genial ator que faz o papel de Spock em Star Trek / Jornada nas Estrelas - série original), Edgar Allan Poe (o autor mais mórbido, romântico e poético que o mundo já teve a honra de conhecer), Gerald Durrell (zoólogo, fundador do zoológico de New Jersey), Agatha Christie (a famosa autora dos mistérios e romances policiais adorados no mundo inteiro), Sting (vocalista da banda The Police, agora dissolvida), Tom Jobim (o grande mestre da nossa querida Bossa Nova), Chico Buarque (um intelectual e músico sem igual) e Peter Jackson (diretor dos filmes baseados nos livros de Tolkien, “O Senhor dos Anéis”, e que estará trabalhando em “O Hobbit” em breve).

Então... Por hoje é isso, mas postarei mais em breve.

Boas festas para todos!

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Vida Urbana

Esse é um texto que escrevi há uns meses, durante meus momentos desesperadores, mas inspiradores de insônia. Andava lendo textos menos "românticos" e mais "realísticos" e, portanto, tive vontade de experimentar tipos de escrita novos. Nesse trecho, narro algo que muitas vezes nós subjugamos, mas que é importantíssimo e traz muito conteúdo interessante para aqueles que estão dispostos a experimentá-lo: o cotidiano.

O cotidiano de pessoas normais, simples, daquelas que sempre vemos na rua, paradas num ponto de ônibus ou andando até o trabalho, sobre as quais, na maior parte das vezes, nem paramos para pensar. Algo que tenho feito muito nos últimos meses é simplesmente observar essas pessoas ao meu redor, e, especialmente durante esse período de provas quando não tive tempo a sós com o papel e a caneta, imaginar como sua vida deve ser. Olho para alguém na rua, e começo a pensar... Tento adivinhar sua profissão, o que está fazendo, para onde está indo, para onde vai depois disso, se mora sozinho ou com a família, se é solteiro ou casado, se está passando por algum momento difícil em sua vida... Enfim, detalhes da vida de outros seres humanos que raramente despertam tanto interesse nos outros, mas são uma excelente matéria para ser investigada na escrita.


Luiz Henrique nada fazia que tivesse qualquer importância naquela quieta tarde de outra monótona terça-feira. Sentava na cadeira dobrável de alumínio e plástico com o jornal nas mãos, aberto no caderno de esportes. Seu dedo indicador direito repousava sobre uma palavra, seguida de um ponto final. Não queria se perder no emaranhado inesgotável de frases, pois poderia ser difícil retornar ao mesmo lugar no texto depois, tendo tirado os olhos das folhas sujas e repletas de notícias sobre coisas que mal o interessavam, ou que ele mal entendia. Sua vista se focava no pavimento, seguia atentamente um pombo que ciscava o que quer que fosse que se escondia entre os paralelepípedos brancos e pretos da rua. Luiz Henrique era assim: tudo que fosse pouco mais interessante que seu entediante trabalho como guardador de carros lhe roubava por completo a atenção, se fazia motivo de observação e reflexão profundas que, por vezes, nem ele mesmo compreendia ou queria compreender.

Uma buzina soou. Mas foi só quando o pombo abriu as asas e levantou vôo num frenesi aterrorizado que o guardador se deu conta que o carro logo à frente estava saindo de sua vaga em marcha-ré. Logo Luiz Henrique levantou, correu até o carro, jornal fechado na mão direita, o dedo ainda pressionado contra a mesma palavra. A janela desceu, e ele estendeu a mão. Duas moedas de um real caíram sobre sua palma aberta, que as levou ao bolsinho na frente do colete de guardador.

- Obrigado, - disse, e voltou à sua cadeira e abriu novamente o jornal. Focou a vista nas letras, nas sílabas, nas palavras... Tantas palavras... Era tudo muito confuso: a todo momento elas se mesclavam e se fusionavam, se confundiam, se tornavam embaçadas... O doutor havia dito que precisaria de óculos. Que óculos, que nada! Precisava era de feijão e arroz suficientes para dar de comer aos cinco filhos e à mulher. Quem tinha dinheiro de sobra era que precisava de óculos, e quem tinha tempo para mandar fazer... E tempo era dinheiro, como já diria seu pai. Seu pai... Agora velho e ranzinza, mal se recordando dos nomes de seus filhos, esquecido, confuso e perdido em seu próprio mundo imaginário, que desabava lentamente sobre ele próprio.

Pronto. Havia soltado o jornal, deixando a palavra escapar-lhe, e estava novamente perdido. "Droga, aonde foi que eu parei?". Já não se lembrava mais. Não importava, de qualquer modo. O seu turno havia acabado fazia uns cinco minutos, já era hora de voltar para casa. Poderia ter ido, a essa hora, se não fosse o irresponsável do Armando, que não chegava na hora, nunca. "Homem tem que trabalhar para sustentar a família", dizia a mãe de Luiz Henrique, antes de morrer, quando ele ainda era moço, "Homem tem que ter compromisso e ter trabalho honesto para alimentar os filhos". E era isso que ele fazia, ou tentava fazer. Já o Armando... Esse era outra história. Armando era mais novo, mas era um vagabundo, por assim dizer. Não queria nada com trabalho; entre os turnos e os talões de estacionamento passava o tempo no botequim do Seu Raimundo, bebendo e conversando com mulheres de procedência duvidosa.

Dez minutos. Levantou-se da cadeira, dobrou-a, dobrou o jornal e olhou a rua. A distância distinguiu a silhueta do outro guardador. Agora que Armando tinha chegado, ele iria embora, iria para casa, iria jantar à mesa com a família e depois sentar no velho sofá mofado com uma lata de cerveja na mão e a televisão ligada na Globo. Não perdia nunca a sua novela favorita. Nunca.

Desceu a rua, parando brevemente só para acenar e cumprimentar com um "valeu" o colega de trabalho. Com um passo cansado, dirigiu-se à entrada do metrô, jornal nas mãos e a cadeirinha de baixo do braço, parando somente no meio do caminho para observar uma criança que corria atrás dos pombos da praça, fazendo-os levantar vôo. Mais um dia de trabalho havia se passado.


sábado, 4 de setembro de 2010

Mocks.

IGCSE mocks. Ou, para aqueles que não entenderam uma palavra, simulados para as provas internacionais de certificado de educação secundária. Se existe uma coisa que ocupa o tempo de qualquer aluno de uma escola Britânica ou internacional, essa coisa são os mocks. São mais de trinta e cinco provas, desde o começo dos simulados até o final das provas oficiais, dois ou três meses de puro estresse, suor, e, para agüentar a carga... Chocolate.
Durante esse período, andei tendo idéias para poemas, mas não consegui colocar nada no papel. Ontem à noite, dia em que finalmente descansei após uma semana completa com duas ou três provas por dia, escrevi dois poeminhas bobos, aguardando a hora de jantar - o primeiro, um soneto em inglês que não saiu bom o suficiente para merecer postagem. O outro, um poema infantilizado, estilo José Paulo Paes, poeta que marcou minha infância. Peço desculpas pela falta de postagem durante esse período, mas quando conseguir voltarei a postar com a mesma frequência de antes. Semana que vem, mais provas me aguardam.


De ponto para vírgula -
O que um traçinho não faz?
Cria de um 'l' um 't';
Faz de um menos um mais.

Se de tudo assim, pequenino
Há de se fazer algo maior,
Será possível também fazer
O que é grande ficar menor?

Isso já é outra história,
Pois a vida não é assim, menino:
Adulto não se faz criança
E sapo não se faz girino.

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Unrepairable Loss

Um poema (dessa vez, em inglês) que escrevi para um amigo que se mudou para a França. Não se trata de uma quase-obra literária ou algo do gênero. Serve somente como um desabafo para mim, e nada mais. Escrevi no iPod, às uma da manhã ou coisa parecida no dia depois que ele me disse que iria se mudar. Tenho consciência de que alguns dos versos estão completamente fora do ritmo, mas, de qualquer forma, aí vai...

There’s nothing like a friend
That always makes you smile,
That will cure your deepest wounds
Even if only for a while

There’s nothing like a friend
That listens to what you say
And perceives when you are joyful
Or when you’re feeling grey

There’s nothing like a friend
That never leaves you behind –
That type of friend, I tell you,
Is the hardest one to find

There’s nothing like a friend
That sees you like a person, too:
You have feelings like themselves;
There’s a lot that you’ve been through

But people come and go,
And quickly time flies by,
And when you don’t even know
It’s time to say goodbye

But that friend, that special friend
Should never go away;
You wish you could continue
To be with them every day

And when you see it’s impossible
Someone like them will come by
You feel hollow in mind and body,
You feel like sitting down to cry

You remember all the good times
That you have spent together,
You remember how you laughed,
Despite the place or weather

But whatever’s best for them
You must find wonderful too,
Although that can be very hard
As it isn’t always true

You hate to see them leave like that
And walk away, maybe never to return;
In your mind you feel sick,
In your heart there is a burn

And when time comes to part
You just don’t want to let them go
You feel as if you’d want to trap them
Deep inside your soul