Está aqui um poema que foi escrito há bastante tempo. Talvez quase dois anos atrás, talvez mais... Não acho que seja um bom poema, mas de qualquer modo... Como é de meu costume, eu-lírico masculino. Também inspirado pelo romantismo.
O que pode, tão mais-que-perfeito,
Ter criado os meigos labios do sorriso teu?
Eles fazem de confusos, ponderativos
Os olhares de qualquer ateu
E alucinam esse menosprezado romeu,
Q’enquanto romântico e tolo
Ainda lembra de ti consigo
Num sonho que foi o meu.
Quando passas tão formosa,
Tão encantadora com os olhares teus,
Enches de lágrimas os d’um pobre cético
Quando estes miram sua graça,
Enquanto o coração se descompassa,
Sem lhe perceberes os espiares seus,
Que mesmo que só curiosos
Desejam muito o retorno dos teus.
E a ternura que carregas consigo,
O amor q’uinda não é meu,
Faz eu, de amante, imaginar
Quantos anos e quantas vidas
Passaram escondidas
As mãos da mãe natureza
Enquanto criavam a inspiração
Para um poeta como eu.
Trazes no rosto a candura dos anjos,
Como os pintados em quadros de museus
Mas que nunca hão de existir
Em qualquer humano lugar
Pois não haveria como neles acreditar
Se não fosse pelo seu rosto
Que os refletem e já encantam
Os olhos que mergulham nos teus.
Trazes no peito o riso mais leve
Que espelha-se no rosto teu
E curam com doces remédios,
Enquanto fazem latejar com solidão
Um negligenciado coração
Que por mais que tentes salvar
Continua melancólico, manhoso
Embrenhado em profundo breu.
Trazes em toda tua paz
A inocência dos períodos teus
Qu’encantam e aprofundam mais
O amor que quero lhe dar,
Mas a mente obriga-se a refolhar
Os sentimentos, que, ignorados por ti,
Deixam somente a desejar
O toque dos teus lábios nos meus.
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