sábado, 10 de julho de 2010

Perdões e Promessas Futuras

Primeiramente, gostaria de pedir desculpas a todos os seguidores e leitores do blog pelo enorme período que passei sem postar nada. Com o início das férias e a ajuda do eficientíssimo serviço de Internet da NET, acabei passando um tempo enorme sem conseguir postar.

Ontem postei “O Condor”. Mais textos anteriores estão por vir, assim como alguns mais recentes que ando escrevendo nas noites de insônia (que são tudo menos escassas). Não escrevo poesia a um tempo, mas fiz umas descrições (ou, como chamo a todos os textos sem propósito, ‘Exercícios de Escrita’) de estilo bem diferente do que costumo fazer. Irei passar uma semana na minúscula cidade de Penedo durante as férias, onde espero descansar da vida urbana e encontrar a inspiração para escrever ainda mais.

Fiquem de olhos abertos para textos novos, e divirtam-se!

Grande abraço a todos,

Amalia

sexta-feira, 9 de julho de 2010

O Condor

Escrito meramente como um exercício de narração, um dever de casa de português. Achei o resultado satisfatório, e por isso decidi postar.


Eles estavam vindo. Vinham por mim, vinham me salvar, voando gloriosamente pelos ares a minha procura, mirando para fora das minúsculas janelinhas do avião para a vasta quantidade de água, e o minúsculo ponto de terra, seus olhos vasculhando a imensidão. Eu tinha certeza de que iriam me resgatar.

Minha aparência era como a de um ser Neandertal: os cabelos embaraçados, sujos, sem brilho, a pele cintilando com o suor inevitável, os olhos já menos humanos e meio mortos pela experiência. Havia passado, no mínimo, uma semana naquela desgraçada ilha, e estes dias haviam sido para mim mais como milênios durante os quais a vida se arrastava inutilmente, trazendo e levando consigo absolutamente nada, senão o tempo, desapressado como um caracol se esgueirando pelo galho de uma árvore, sem destino e sem pressa. Minha alma era oca, e se não fosse um único ser, um único ser que agora deveria encontrar-se preocupado na metrópole onde morava, vagando de um lado a outro a minha espera, eu já haveria morrido. Mas, como dizem alguns, e como sabem todos, o amor faz milagres, e mantém vivos mesmo aqueles que estão prestes a morrer.

Foram penosos os dias que passei naquele aglomerado de areia em meio à imensidão azul. Bebia a água acumulada nas folhas côncavas das plantas, comia o que parecesse menos desagradável – subia em árvores para pegar frutas, que eram poucas e estranhas, e matava lebres e outros pequenos mamíferos com a ajuda de uma armadilha feita de alguns galhos e fibras de coqueiro. Todo dia, à noite, acendia uma pequena fogueira e me punha a dormir ao lado dela, após cozinhar qualquer que fosse o meu jantar sobre suas labaredas aconchegantes... Eram essas chamas que mais me faziam lembrar de casa, de minha lareira quente na frente da qual gostava de sentar a tarde...

Foi provavelmente o pior período que já havia passado, tendo que tomar banho no mar salgado, sempre correndo de volta para a segurança da areia se visse qualquer coisa na água que pudesse parecer perigoso. Acordava várias vezes durante a noite, a lança mal-feita nas mãos, caso viesse a ser atacada por alguma coisa; e eu com aquele brilho selvagem nos olhos, acendendo neles algo que antes não sabia que existia em mim, antes um ser humano comum, calmo, pacato. Minhas roupas estavam imundas e rasgadas, cobertas de areia. Foi durante esses dias que me arrependi de ter, enquanto criança, brincado de qualquer coisa aventureira, na época quando tinha a inocência e a ignorância de imaginar que viver assim seria divertido...

Estavam se aproximando. Já imaginava o avião pousando, e a equipe de resgate saindo dele, triunfante, me carregando ao interior da máquina milagrosa que me traria de volta a tudo aquilo que havia perdido... Mas ao invés disso, um som estridente soou pelos ares, e, ao olhar para cima, percebi que o que plainava nos céus não era um avião, e sim um condor, sobrevoando a ilha em busca de uma presa.